sexta-feira, 27 de março de 2015

Página 13.

"08 de março - 2007

Um dia comecei a notar aquela garota. Comecei a contar os dias que ela ia ou não na praça branca. Ela ía somente nas segundas, quartas, sextas e aos sábados. Sempre que terminava um livro logo começava a ler outro.
Fiquei reparando esses detalhes durante um mês e meio, observando ela. Até que um dia, quando ela estava lendo "a última casa da rua", percebi em sua expressão que ela havia descoberto que o "mocinho" era na verdade o vilão. Achei lindo quando ela ficou irritada, então decidi ir falar com ela.
Foi fácil iniciar o assunto, eu já havia lido aquele livro.
- Com licença, posso me sentar? -perguntei logo que me aproximei do banco.
- Ah! Claro, fique a vontade.
- Obrigada. - ela não respondeu, naquele momento estava mais preocupada com o livro do que com qualquer pessoa que fosse sentar ao seu lado. Percebi que ela estava ficando irritada, suas bochecha estavam coradas e sua respiração ofegante.
- Pelas suas expressões acho que já descobriu a verdade não é mesmo?
- Hã..? Do que esta falando?
- O livro!
- Ah, sim. Você já leu?
- Sim. - sorri para ela e vi que ela tentou esconder seu sorriso também.
- Prazer, Elizabeth. - ela falou enquanto estendia sua mão direita para me comprimentar.
- Prazer, Joshua.
Depois de nos apresentarmos começamos a conversar sobre o livro, ficamos mais ou menos meia hora discutindo sobre, até que começou a escurecer e ela lembrou que precisava ir para casa.
Fiquei ali, sentado, vendo ela se distanciar cada vez mais."

quarta-feira, 18 de março de 2015

Página 12.

"07 de março - 2007

Todos os dias em que eu saia para correr no fim da tarde, sempre havia uma garota sentada em um banco em frente ao lago - aquele lugar se chama "Praça Branca", o nome foi lhe dado pelo fato de que, lá há apenas um banco azul sobre um gramado verde, este banco ficava entre duas árvores, uma de cada lado, onde nelas haviam flores brancas, e no outono todas caíam no chão fazendo assim, um tapete branco sobre o gramado -, ela estava na maioria das vezes lendo ou ouvindo música. Ela era linda, sua pele era branca, seus olhos azuis e seus cabelos eram negros. Ela não era muito alta, devia ter 1,65 metros no máximo, dezessete centímetros mais baixa que eu.
Algumas vezes ela não ia até a praça, algumas vezes ia dois dias semana outras nem aparecia. Comecei a reparar nela, sem perceber no que estava fazendo.
Um dia eu estava passando na praça exatamente no momento em que ela estava saindo, me distrai por dois segundos e quando vi ela esbarrou em mim. Seu livro e celular caíram. Tadinha, ficou vermelha e não dizia nada, apenas me olhou e pediu desculpas. Peguei suas coisas do chão e lhe entreguei, ela agradeceu e saiu rápido, fiquei apenas olhando enquanto ela se afastava de mim, e via que em alguns momentos ela olhava para trás.
Quem era aquela garota?"

Página 11.

"06 de março - 2007

Já havia alguns dias que as aulas haviam começado. Eu comecei a falar com alumas garotas da mesma classe, no começo, apenas sobre assuntos refentes à aula, mas depois, começamos a nos tornar "amigos".
Como eu já estava morando sozinho e meus pais não iriam bancar meu apartamento, tive que começar a trabalhar. Não levou muito tempo para que eu conseguisse um emprego. No começo, pensei em me focar no que eu realmente gostava de fazer, escrever poesias, mas depois, mudei de ideia e comecei a trabalhar em um escritório de advocacia.
Minha rotina começou a ser:
1 - Acordar cedo e sair para correr;
2 - Tomar café e ir para a faculdade;
3 - Almoçar e ir trabalhar;
4 - Voltar para casa e sair para correr de novo;
5 - Voltar da corrida e adiantar algumas coisas do trabalho e faculdade;
6 - Jantar e dormir;
Comecei a me acostumar nessa rotina, no começo parecia ser fácil apenas estas seis coisas mas, depois percebi que estava errado."

segunda-feira, 16 de março de 2015

Página 10.

Lizy, eu não me lembro de muitas coisas, pelo menos eu acho que não. Já aconteceu tanta coisa que, me fazem ter prazer em não lembrá-las. E bom, não me lembro por que não eram de grande importância. Vou pular mais dois anos - terminei o colegial, fiquei por um ano sem estudar e depois, voltei para a faculdade. Eu já estava com 21 anos, dois anos atrás, não faz muito tempo, ou seja, você vai conhecer um pouco mais de mim.

"05 de março - 2007

Era um final de tarde comum que, eu estava em casa sentado no sofá conversando com as paredes, decidindo se eu iria com uma camiseta branca ou azul. Minha roupa já estava decidida, calça esquine preta camiseta e tênis. Modéstia parte, mas eu estava um gato. Minha paciência havia acabado, coloquei a camiseta branca que era mais colada ao corpo e fui para a faculdade.
Eram todos muito diferentes, alguns com cara de mais velhos, outros com cara de criança. Eu estava meio perdido mas, logo logo iria me encontrar e aproveitar mais um pouco."

sexta-feira, 13 de março de 2015

Página 9.

"21 de agosto - 2005

Dois meses se passaram, as aulas estavam acabando e faltava uma semana para a formatura.
Estavam todos ansiosos, discutiam entre si, faziam loucuras, tudo por causa de uma noite de festa. Acho que não tenho capacidade suficiente para entende-los!
Fui obrigado a comprar uma roupa social. Nossa, aquilo incomodava muito, ainda bem que depois da cerimônia iriamos trocar as roupas.
Depois de o salão estar arrumado, todos prontos e os convidados já confortáveis, a cerimônia se iniciou. Eu via mãos tremendo e, algumas garotas cochichando "ah, meu Deus, acho que vou vomitar", eu precisava rir, mas não podia.
Depois do término da formatura, nos encaminhamos ao salão de festas. Havia balões, bebidas, músicas de todos os tipos e hormônios "correndo solto". A festa durou cerca de sete horas seguidas.
Depois do fim da festa fui para casa, dormi o dia inteiro e, quando acordei, estava com uma maldita ressaca."

quinta-feira, 12 de março de 2015

Página 8.

"21 de agosto - 2005

Eu nunca entendi por que meu namoro era tão perfeito, saíamos sempre, nos falávamos à todos os momentos, nos amávamos de uma maneira inimaginável. Bom, era perfeito de mais para ser verdade.
Um dia Marie começou a ficar estranha, não queria sair com tanta frequência, não respondia algumas mensagens, já não ligava mais para mim. Ela então começou a se aproximar de Jackiel, um super amigo e quase irmão. Não me importei, afinal, ele era meu melhor amigo. Por que eu não fiz algo..?
Um dia voltando do colégio, alguns meses antes de terminar as aulas, decidi ir na casa de Marie, para ver se ela estava bem. Quando cheguei na esquina da rua da casa dela, vi de longe Jackiel e ela, eles estavam se beijando. Tive náuseas, corri para casa e vomitei até as tripas, não entendia por que ela teria feito aquilo comigo. Eu a amava. Me senti um completo idiota, jurei à mim mesmo que não me apaixonaria de novo por nenhuma mulher, não importaria o quanto perfeita ela fosse.
Continuei indo para o colégio diariamente, mesmo tendo que vê-los todos os dias. O ano estava acabando e, como fazia antes, voltei a brincar com as garotas que estudavam lá."

Página 7.

Vou passar um pouco o tempo, não me lembro de muitas coisas mais.

"20 de agosto - 2005

Uma vez, na minha "inocência" de adolescente, me apaixonei pela primeira vez por uma garota chamada Marie.
Ela era linda, seus cabelos eram ruivos e seus olhos azuis. No começo me encantei, ela era meiga, gentil e muito divertida. Eu me sentia bem só de estar perto dela. Chamei-a para sair, fomos ao cinema e comemos sorvete. Comecei a sentir algo diferente perto dela e, pensava nela em todos os momentos, não queria acreditar que isso era "amor". Eu mal sabia o que era essa maldita palavra e não estava nem um pouco afim de descobrir. Íamos pelo mesmo caminho todos os dias e, em um desses dias a beijei. Era oficial, estávamos namorando. E eu estava perdidamente apaixonado por ela!"

segunda-feira, 9 de março de 2015

Página 6.

"23 de março - 2004

Sabe, Lizy, tento lembrar de algumas coisas da minha vida que me esqueci. Mas, tenho medo as vezes, de lembrar e me arrepender. Sim, eu tenho meus medos, muitos na verdade.
Hoje eu estava pensando e, lembrei de uma coisa. Um garoto, igual a mim, brincando comigo no quarto. Não sei quem era ele, mas foi estranho. Ver aquele rosto tão familiar, aqueles olhos tão felizes. Quem será ele? Será que tenho um irmão gêmeo? Alguém igual a mim? Mesmo rosto, mesmo cabelo. Por que não o conheço? Por que nunca ouvi falar nele? O que será que fizeram? O que será que eu fiz?"

Página 5.

Penso seriamente se devo contar todos os detalhes que Elizabeth me pediu, algumas coisas poderiam ficar em segredo, ela não precisava saber. Eu sei, eu poderia fazer isso, mas minha promessa foi "contar tudo, sem deixar ou esconder nada". Odeio fazer promessas e me arrepender depois!

"22 de março - 2004

Sempre que eu chamava alguma garota para sair era um problema, sempre haviam discussões entre eu e elas. Culpa minha, obviamente.
Eu sempre fui um cara sem compromisso.. chegava atrasado em encontros - quando eu ia -, desmarcava em cima da hora, dava "bolo", e muitas outras coisas.
Uma vez, marquei com três garotas no mesmo dia e, admito, foi muito divertido vê-las malucas atrás de mim, querendo saber onde eu estava, por que não estava esperando elas no local marcado. Eu sempre me divertia em ocasiões como essa.
Por um lado foi bom, foi muito mais fácil levá-las para a cama, mas foi extremamente irritante receber milhares de mensagens de texto e ter que responder todas.
Sabe, a transa não foi boa. Na verdade, foi horrível. Eu não sou muito amoroso em ocasiões como essa, sou um tanto bruto e insensível. E elas, bom, elas mal deixavam que eu as tocasse, exitavam em todos os momentos, não deu certo.
Depois da transa, eu nunca mais respondi suas mensagens, afinal, elas eram ridículas. Definitivamente eram apenas do tipo "comer e jogar fora". Eu mal tive um orgasmo.
Apenas toquei um "foda-se" para elas."

domingo, 8 de março de 2015

Página 4.

"21 de março - 2004

Na adolescência além de tudo que já contei, faltou um pequeno detalhe, eu era um tanto ninfomaníaco e, algumas vezes sádico. Transava com as garotas apenas por diversão, nunca levei nenhuma à serio. Algumas delas, as mais certinhas, me odiavam, mas no fundo queriam apenas uma noite comigo, as outras, bom, enlouqueciam na cama. Sempre gostei de torturar as vadias e virar de ponta cabeça as certinhas.
Havia uma garota, se bem me lembro seu nome era Melanie. Ela era uma verdadeira puta. Eu não seria eu se não transasse com ela.
Não precisei me esforçar muito, apenas precisei convidá-la para o baile do colégio. E quando sai de perto, ela me olhou de forma tão sexy que eu percebi na hora, nossas intenções eram as mesmas.
Logo no início do baile fugimos para a sala do diretor, e quando chegamos lá, quebramos algumas coisas que estavam em cima da mesa.
Ela era louca, me agarrou e me fez perder o fôlego. Mas eu não fiz diferente, colei meu corpo no dela contra a parede. Mal comecei morder seu pescoço e já ouvia ela gemendo. Me excitei rápido, estávamos gostando, sabíamos que era só diversão.
Ela então tirou o vestido, estava completamente nua sem ele. Amei aquele corpo, era tão doce, mesmo ela sendo tão amarga. Por um breve momento senti pena dela, mas logo esqueci. Então puxei seus cabelos, beijei sua boca e começamos a transar. Eu mordia seus peitos, lambia seu corpo e batia algumas vezes em sua bunda. Ela gemia, gritava e pedia mais, quase dei gargalhadas.
Mas na melhor parte, ouvimos alguém se aproximar. Era o zelador.
Maldito!
Fomos para o salão principal do colégio, dançamos por uns cinco minutos e fui embora.
Depois daquele dia transamos mais algumas vezes, e depois, foi como se nada tivesse acontecido."

Algumas situações de minha vida, eu gostaria de não precisar contar para Lizy, não me orgulho de certas coisas que fiz, mas ela pediu para que eu não deixasse de contar nada, nem mesmo situações como essa. Desculpe Elizabeth, por fazer você ler isto.

sábado, 7 de março de 2015

Página 3.

Este é o segundo dia que estou escrevendo para Elizabeth e, admito, é torturante não saber o que escrever, ou até mesmo não saber se esta certo. Bom,  acho que devo começar a falar de minha adolescência, a partir do momento que eu me lembro.

"20 de março - 2004

Tenho 15 anos novamente, e voltei ao ensino médio.
Sabe, Lizy, sempre fui daquele tipo de garoto que todas as garotas queriam. O mais alto, o mais forte, o mais bonito, todas babavam por mim. Hoje em dia, não sei se eu gostaria de voltar à aquele tempo, não sei se sentiria a mesma emoção.
No colégio eu era sempre o mais "popular", jogava no time de basquete, fazia parte do clube de teatro, sempre conseguia a garota que eu quisesse, todos me invejavam...
Um dia decidi convidar uma garota para sair, coitadinha, foi odiada por todas as outras. Levei-a para o parque que estava de passagem na cidade, comemos algodão doce e bebemos refrigerante. Por mais que me oferecessem nunca me interessei por fumar ou beber, acho que isso é uma qualidade minha.
Aquela garota tinha um olhar tão inocente. Não resisti, beijei-a, depois que parei e olhei em seus olhos, ela colocou a mão sobre a boca e saiu correndo, não entendi mais nada.
Daquele dia em diante nunca mais a vi no colégio, ela simplesmente havia sumido."

sexta-feira, 6 de março de 2015

Página 2.

Hoje começarei a escrever um diário. Elizabeth, pediu para que eu escrevesse para ela no momento em que nos conhecemos - na verdade, ela pediu depois que o pedido de namoro foi feito -, contando desde minha adolescência, ou pelo menos o que lembro de minha vida, até o dia em que eu morresse, não importaria se ela estivesse viva ou não.
E aqui estou eu, escrevendo esse diário. Peguei um caderno de quinhentas folhas e, irei numerá-las de acordo com os dias que escrevi.
Então, vamos lá!

"19 de março - 2004

Olá, Elizabeth,
Como você pediu, hoje estou aqui escrevendo seu diário."

Não sou bom em escrever, sou péssimo, mas, por ela faço tudo!

quinta-feira, 5 de março de 2015

Página 1.

- ELIZABETH!
- Jo.. Joshua!
Ela havia caído no cão, primeiro os joelhos, e depois caiu de lado. Me abaixei rapidamente para impedir que ela batesse a cabeça, coloquei-a no meu colo e comecei a falar com alguém chamado "Deus".
- Alguém chame uma ambulância por favor! Ela esta morrendo, me ajudem. Pelo amor de Deus!
Elizabeth já mal conseguia respirar, ela apenas sorria para mim, e se esforçava para balbucear algumas palavras.
- Por que esta chorando Josh? Eu estou feliz. Não me importo de morrer, querido. Mas.. me prometa algo - ela mal conseguia falar, mas estava se esforçando o máximo -, me prometa que não irá parar de escrever meu diário, o diário que fala de toda sua vida. Sei que não estarei aqui para lê-lo, mas apenas termine-o para mim! Ah! só mais uma coisa, sabe qual a melhor parte disso? Eu morri com seu amor.. eu morri feliz!
Lizy fechou os olhos de vagar, suas mãos foram se soltando das minhas. Ela estava imóvel, ela já não pertencia mais à mim.
- Eu prometo, amor, e irei cumprir. Não pararei de escrever, seu diário terá um fim!

Prefácio

"Hoje deitei na nossa cama, fechei meus olhos e comecei a pensar em você. Lizy, amor, pensar em você me deixa tão triste, lembrar que não posso mais tê-la me deixa louco.
Quando você partiu, pensou em como eu ficaria?
Eu não sei, ninguém sabe, talvez nem você mesma. Como é ser um anjo? Poder deitar nas nuvens, poder voar entre estrelas.. Se bem me lembro este era seu sonho, não é? Amor, estou tão feliz que você pode realizá-lo. Mas... Me dê um sinal, me mostre que está comigo. O fato de não te ver mais sorrir já esta me matando!"

Quem poderia imaginar que, em uma caminhada de rotina é possível, encontrar o "verdadeiro amor"? E que, em uma simples caminhada na praia, é possível perdê-lo em segundos?
Devido à uma promessa que Joshua fez para Elizabeth, ele relembra de sua vida e descobre segredos que nem mesmo ele se lembrava e, para sua infelicidade as "vozes" voltaram...